
O empresário brasileiro Daniel Fernandes Rojo Filho, que vive nos Estados Unidos, lançou o livro Quando os Céus Cruzaram a Terra, no qual analisa o capítulo 6 do Gênesis, trecho da Bíblia que antecede o relato do Dilúvio. A obra propõe uma leitura interpretativa do texto bíblico, com base em referências históricas, religiosas e acadêmicas.
No livro, o autor aborda passagens relacionadas aos chamados “filhos de Deus” e aos Nephilim, personagens citados no texto bíblico. A proposta é discutir como diferentes tradições interpretaram esse trecho ao longo do tempo, com base em fontes como o Livro de Enoque, o Livro dos Jubileus, textos do Novo Testamento e autores da tradição cristã.
Segundo Daniel, “Gênesis 6 sempre me pareceu um texto onde a teologia recua e onde o silêncio passou a ser confortável demais”. Ele afirma ainda que o objetivo da obra não é defender uma doutrina, mas apresentar distinções de leitura. “Este não é um livro de doutrina, mas de distinções”, escreve no prefácio.
A abordagem também dialoga com estudos de linguagem e com a relação entre fé, texto religioso e contexto histórico. “Onde o texto fala, ouvimos. Onde o texto é silenciado, respeitamos”, afirma o autor ao explicar os limites adotados na interpretação do material bíblico.
A metodologia adotada busca evitar tanto a leitura estritamente literal quanto o ceticismo total. “A fé e a erudição não são inimigas. O perigo está em substituir o diálogo pelo dogma”, afirma Daniel. Segundo ele, a proposta é analisar o texto bíblico considerando seu contexto histórico e suas diferentes tradições de leitura.
A obra foi publicada por uma editora acadêmica e tem circulação nos Estados Unidos e no Brasil. O livro é voltado a leitores interessados em estudos bíblicos, história das religiões e interpretação de textos religiosos.
Ainda segundo o autor, o projeto surgiu a partir de leituras realizadas ao longo dos anos e do interesse em compreender como determinados trechos bíblicos foram interpretados em diferentes períodos. “O texto bíblico não precisa ser defendido, precisa ser compreendido de novo”, afirma.




