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Festival Àgbádó 2026 chega ao fim celebrando ancestralidade, diversidade religiosa e futuro sustentável

O Museu da República, no Catete, foi palco, entre os dias 18 e 20 de janeiro de 2026, da terceira edição do Festival Àgbádó – Semeando Futuro, Honrando Ancestrais, realizado pelo Instituto Afrikerança. Consolidado como um dos principais eventos do Rio de Janeiro voltados à valorização das culturas de matrizes africanas, o festival reuniu lideranças religiosas, artistas, pesquisadores, gestores públicos e o público em geral em uma intensa programação cultural, educativa e espiritual.

Inspirado em Ọ̀ṣọ́ọ̀sí, o Grande Caçador, o Festival Àgbádó tem como símbolo central o milho, alimento sagrado do orixá, celebrado como elemento que ultrapassa o campo religioso e se afirma como referência de sustentabilidade, fartura e conexão entre ancestralidade, presente e futuro. A proposta reafirma o protagonismo do povo negro e a diversidade cultural como fundamentos para a construção de uma sociedade mais justa e plural.

Realizado durante a Semana da Diversidade Religiosa, o evento reforçou o compromisso com a laicidade do Estado, o enfrentamento à intolerância e ao racismo religioso, além da defesa do direito pleno à liberdade de crença. Nesta edição, o festival manteve parcerias históricas com o Museu da República e o IBRAM, presentes desde a primeira edição, e ampliou sua atuação institucional com a Coordenadoria de Diversidade Religiosa e o COMPLIR, fortalecendo o diálogo entre poder público e comunidades tradicionais.

Ao longo dos quatro dias, o público participou de rodas de diálogo, palestras, oficinas, celebrações religiosas, apresentações artísticas, feiras culturais e ações educativas, abordando temas como ancestralidade, memória, saúde mental, racismo estrutural, cultura alimentar, literatura religiosa e patrimônio imaterial. A programação também valorizou a economia criativa ancestral, reunindo artesãos, fazedores de cultura e coletivos de diferentes municípios do estado.

A edição de 2026 marcou ainda um novo ciclo do Instituto Afrikerança, que se consolidou oficialmente como instituto e ampliou o protagonismo de coordenadoras municipais de diversas regiões do Rio de Janeiro, fortalecendo a construção coletiva do festival. Novas parcerias estratégicas, como a Lanoz Events e a Feira Ziriguidum, contribuíram para a organização e a expansão cultural do evento.

Como reconhecimento ao trabalho contínuo das Casas de Axé, grupos culturais e lideranças religiosas que constroem o Festival Àgbádó desde sua primeira edição, o Instituto Afrikerança está pleiteando uma Moção de Aplausos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em homenagem à atuação na salvaguarda da memória, da cultura e da dignidade do povo negro.

O Festival Àgbádó 2026 encerrou-se reafirmando seu papel como espaço de resistência, celebração e construção de futuros possíveis, onde ancestralidade, cultura e direitos caminham juntos.

Sobre o Instituto Afrikerança

O Instituto Afrikerança é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação, valorização e promoção das culturas africanas e afro-brasileiras. Atua nas áreas de educação, cultura, memória, sustentabilidade e justiça social, por meio de festivais, formações, feiras literárias e produções audiovisuais. Entre seus projetos estão o Festival Àgbádó, a Feira Literária Narrativas Ancestrais e o documentário Memórias de Terreiros, que reconhece terreiros e territórios de axé como espaços de memória viva.

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